Títulos Verdes vs. Créditos de Carbono na América Latina

Títulos Verdes vs. Créditos de Carbono na América Latina

Títulos Verdes vs. Créditos de Carbono na América Latina

Em 2024, ocorreu uma revolução silenciosa nos balanços dos governos latino-americanos. Enquanto as manchetes globais se centravam nas mudanças políticas, os ministros das Finanças, de Santiago a Brasília, estavam ocupados a reescrever as regras do capital. Estamos a assistir a um pivô histórico: a região está a passar da extração de recursos para a monetização da sua preservação.

Para investidores e responsáveis ​​pela sustentabilidade, isto representa um cenário confuso. É frequente ouvirmos “Títulos Verdes” e “Créditos de Carbono” lançados nas mesmas reuniões de diretoria, geralmente sob a égide de ESG. Mas não se engane – Títulos Verdes vs. Créditos de Carbono na América Latina não é uma comparação de maçãs com maçãs. É uma comparação entre um empréstimo estável de rendimento fixo e uma mercadoria volátil e de elevado crescimento.

As apostas estão aumentando a cada dia. Nossa análise das últimas projeções de mercado mostra que o O mercado de crédito de carbono da América Latina está prestes a disparar de US$ 63,05 bilhões em 2025 para mais de US$ 824 bilhões até 2034. Essa é uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de mais de 33%.

Mas será que esse crescimento explosivo significa que devemos ignorar a estabilidade do mercado obrigacionista? Analisamos os dados da S&P Global e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para ajudá-lo a decidir.

Quais são as principais diferenças entre títulos verdes e créditos de carbono?

Para navegar neste mercado, você deve primeiro compreender a diferença estrutural fundamental.

Pense nisso como possuir uma casa em vez de alugar um quarto.

  • Os títulos verdes são como uma hipoteca (dívida): Você pede dinheiro emprestado hoje para construir algo específico (como uma casa movida a energia solar). Você promete pagar ao banco com juros. O banco não é dono da sua casa; eles só querem o pagamento de juros.
  • Os Créditos de Carbono são como Aluguel (Ativo): Você tem um ativo (o quarto vago, ou neste caso, uma floresta) que presta um serviço. Você vende o direito de usar esse serviço para outra pessoa.

Em termos financeiros, um título verde é um responsabilidade no balanço do emissor (eles devem dinheiro), enquanto um crédito de carbono é um ativo de inventário (eles vendem um resultado).

Aqui está o detalhamento de como eles se comparam no mundo real:

Recurso Títulos Verdes Créditos de Carbono
Natureza Financeira Instrumento de dívida (empréstimo) Ativo Negociável (Certificado)
Objetivo principal Levantar capital inicial para construção Monetizar o desempenho ambiental
Perfil de retorno Renda Fixa (Principal + Cupom) Especulativo (flutuação do preço de mercado)
Fonte de risco Risco de crédito do emissor (eles irão à falência?) Integridade do Projeto (O carbono é realmente capturado?)
Exemplo do mundo real Chile: Emissão de dívida para ampliação do Metrô elétrico de Santiago. Brasil: O povo indígena Suruí vendendo créditos de conservação florestal para gigantes da tecnologia.

Qual é o tamanho da oportunidade de mercado na América Latina?

Estamos testemunhando um mercado de “duas velocidades”.

Pista 1: O gigante constante (títulos verdes) O mercado de títulos verdes é o irmão mais velho e maduro. A emissão acumulada na América Latina e no Caribe atingiu aproximadamente US$ 131 bilhões até o final de 2023. Isto não é dinheiro especulativo; trata-se de fundos de pensões e investidores institucionais que procuram portos seguros. A atração aqui é o “Verdênio” – um fenómeno que estamos a observar em mercados como a Colômbia e o México, onde os emitentes pagam um pouco menos de juros sobre obrigações verdes porque a procura por parte dos investidores é muito frenética.

Pista 2: O foguete (créditos de carbono). Se os títulos são a via estável, os créditos de carbono são a via de passagem. A projeção que destacamos anteriormente – US$ 824,52 bilhões até 2034 – é impulsionado por uma vantagem geográfica única. A América Latina detém cerca de 40% da biodiversidade mundial. À medida que o “Mercado Voluntário de Carbono” (MCV) global torna mais rigorosas as suas regras, os créditos de alta qualidade da Amazónia e dos Andes estão a tornar-se o padrão-ouro.

Os investidores apostam que, à medida que o Acordo de Paris Artigo 6.º (que permite aos países comercializar carbono) estiver totalmente online, o preço de um único crédito de carbono latino-americano poderá saltar dos níveis baixos actuais (5-10 dólares) para os níveis de conformidade europeus (60-80 dólares).

Aprofundamento do país: quem lidera o quê?

A geografia não é apenas paisagem na América Latina; é o destino financeiro. Analisámos os quadros regulamentares das principais economias para ver onde se especializam.

1. Brasil: a superpotência do carbono

O Brasil é inegavelmente o campeão dos pesos pesados ​​do mercado de carbono. Com a maior parte da floresta amazónica dentro das suas fronteiras, o seu potencial para “Soluções Baseadas na Natureza” (SBN) é incomparável a nível mundial.

  • A mudança: Em 2024, o Brasil decidiu formalizar seu mercado de carbono com a nova legislação Cap-and-Trade. Isto move o mercado de “Voluntário” (Velho Oeste) para “Regulado” (Compliance), o que normalmente cria preços mínimos e estabilidade para os investidores.
  • Melhor para: Investidores que procuram jogos de ativos de alto risco e alta recompensa.

2. Chile: o rei dos títulos soberanos

O Chile seguiu um caminho diferente. Eles se tornaram a primeira nação das Américas a emitir um Título Verde Soberano em 2019.

  • A Inovação: O Chile foi pioneiro Título vinculado à sustentabilidade (SLB). Ao contrário de um título verde padrão, onde o dinheiro deve ser gasto em um projeto verde, um SLB permite que o governo gaste o dinheiro em qualquer lugar. No entanto, há um problema: se o Chile não conseguir cumprir os seus objectivos climáticos (NDC) até uma determinada data, a taxa de juro que paga aos investidores aumenta. Isso coloca o dinheiro deles onde está a boca.
  • Melhor para: Investidores institucionais que procuram rendimento fixo estável, apoiado por governos soberanos, com métricas ESG claras.

3. Colômbia e México: os taxonomistas

Ambas as nações estão atualmente a implementar as suas “Taxonomias Verdes”. Estes são enormes livros de regras governamentais que definem estritamente o que é considerado “verde”. Isto é crucial para prevenir o greenwashing, tornando estes mercados mais seguros para o capital estrangeiro que tem medo do risco reputacional.

Como os retornos e os riscos diferem? (O perigo da “lavagem verde”)

É aqui que a borracha encontra a estrada. Os perfis de risco destes dois instrumentos não poderiam estar mais distantes.

O risco em títulos verdes: O risco aqui é tradicional Risco de crédito. Se você comprar um título verde de uma empresa brasileira de energia, sua principal preocupação é se essa empresa permanecerá em atividade. Mesmo que não consigam construir a fazenda solar que prometeram, eles ainda lhe devem o dinheiro legalmente (embora possam enfrentar multas regulatórias). É uma aposta mais segura.

O risco nos créditos de carbono: O risco aqui é Risco reputacional e de validação. Em 2023, vários grandes projetos de créditos de carbono foram denunciados por jornalistas por exagerarem os seus benefícios (alegando salvar árvores que não estavam realmente em perigo). Quando isso acontece, o valor do crédito pode cair a zero da noite para o dia.

  • Visão especializada: Para mitigar esta situação, os investidores inteligentes estão agora a exigir créditos verificados pelo ICVCM (Conselho de Integridade para o Mercado Voluntário de Carbono)o que estabelece um padrão mais alto de qualidade.

Perguntas frequentes

Os Títulos Verdes geram créditos de carbono?

Não, eles são separados. No entanto, um promotor experiente poderia usar um Título Verde para construir um projecto (como um parque de reflorestação) e depois, uma vez cultivadas as árvores, verificar esse projecto para vender Créditos de Carbono. Esta estratégia “Double Engine” está se tornando popular na Colômbia.

A América Latina é segura para investimentos verdes?

“Seguro” é relativo. A região tem volatilidade política. No entanto, o regulatório a segurança para o financiamento verde é maior na América Latina do que em muitas partes da Ásia ou África, graças às taxonomias no Chile, na Colômbia e no México que se alinham com os padrões da União Europeia.

O que é o “Greenium”?

Significa “Prêmio Verde”. Significa que os investidores estão tão desesperados para comprar activos verdes que aceitam uma taxa de juro ligeiramente mais baixa. Isto torna mais barato para as empresas latino-americanas pedirem dinheiro emprestado se prometerem tornar-se verdes.

Conclusão

Os dados contam uma história convincente. A América Latina está a transformar-se de uma pedreira de recursos numa potência de soluções climáticas.

Se procuramos a estabilidade da dívida soberana e do financiamento de infra-estruturas, o Mercado de títulos verdes de US$ 131 bilhões é o seu refúgio. Mas se pretende capitalizar os recursos naturais únicos da região e aproveitar uma onda de crescimento exponencial, o Potencial de US$ 824 bilhões do mercado de Crédito de Carbono é impossível ignorar.

As carteiras mais inteligentes em 2025 não estão a escolher uma em vez de outra – estão a aproveitar ambas.

Referência:

Títulos verdes versus créditos de carbono: duas ferramentas, uma missão

Sentimento dos investidores em relação ao mercado de títulos verdes na América Latina e no Caribe

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